domingo, 10 de julho de 2016

Jane Eyre



           Inaugurando os posts literários, minha primeira resenha será sobre "Jane Eyre", de Charlotte Brontë.

             Meu interesse por ele surgiu após as leituras que fiz nos últimos meses. Depois de dois livros de Jane Austen e o clássico "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë, irmã da autora, achei que era a hora de completar essa sequência com "Jane Eyre". Então, sem mais delongas, vamos às minhas impressões.

             Aviso: a resenha contém spoilers

            A obra é um romance autobiográfico da protagonista que dá nome ao título. A história começa quando Jane Eyre tem 10 anos e vive no ambiente hostil da casa de sua tia. Descobrimos que se trata de uma orfã: seus pais morreram quando era apenas um bebê e ela ficou aos cuidados da esposa de seu falecido tio, irmão de sua mãe, que a detesta. Representando um fardo para sua tutora e desejando a todo custo deixar um ambiente tão opressor, a menina é enviada à Lowood, uma instituição de educação para meninas carentes. Lá ela passa oito anos, seis como aluna e dois como professora, quando resolve que é hora de começar uma vida nova. Após colocar um anúncio no jornal, ela consegue trabalho como preceptora num local distante dali, na propriedade de Edward Rochester, onde acontecem alguns eventos misteriosos. A partir de então a história passa a centrar-se na atração entre Jane e o Sr. Rochester, até uma reviravolta que acontece na segunda metade do livro. Bem, revelar mais do que isso seria contar a história inteira, então vou parar por aqui.  

             Então, o que achei do livro? A história da protagonista é interessante e emociona em vários momentos. Uma criança órfã que sofre maus tratos e que passa a adolescência em um internato de condições insalubres: difícil não se solidarizar com ela. Mas para mim o ponto alto do romance é a personalidade da protagonista. Jane é forte, corajosa, e tem um espírito de liberdade que lhe acompanha ao longo de toda a narrativa. Ao decidir deixar a escola Lowood, busca um emprego através de um anúncio e parte sozinha para uma viagem distante rumo ao desconhecido. Além disso, ela demonstra fervorosa defesa de seus princípios quando decide deixar o homem por quem se apaixonou em razão do impedimento legal para o casamento deles. Portanto, na minha opinião, considerando as personagens femininas da época, Jane Eyre é um raro exemplo de coragem e independência, e por isso acredito que a obra mereça o prestígio que recebeu desde sua publicação. Outro mérito da obra são os diálogos, especialmente entre Jane e o Sr. Rochester. Ambos são muitas vezes irônicos, espirituosos e até sarcásticos. Não poderia deixar de citar uma das minhas falas preferidas de Jane, quando ela ainda era criança, ao ser questionada pelo diretor de sua futura escola (em tradução livre):

           "- Você sabe para onde vão as pessoas más depois que morrem?
             - Vão para o inferno - foi minha resposta direta e ortodoxa.
             - E o que é o inferno? Você pode me dizer?
             - Um poço cheio de fogo.
             - E você gostaria de cair nesse poço e queimar ali para sempre?
             - Não, senhor.
             - E o que você deve fazer para evitá-lo?
                Eu refleti por um momento. Minha resposta, quando veio, era questionável:
             - Devo me manter saudável e não morrer."

          Quanto à trama, também me agradou bastante. Não me senti entediada em nenhum momento, e quando achei que a história tinha chegado ao seu ápice e não evoluiria mais, a autora provoca uma reviravolta que enriquece a história com novos personagens e situações.

          Bom, agora vamos ao que não gostei tanto assim. O livro traz elementos do romance gótico, que é um gênero que não me agrada muito. Exageros à parte, o Sr. Rochester me lembrou em alguns momentos Heathcliff, de "O Morro dos Ventos Uivantes": ocasionalmente rude, verbalmente agressivo e temperamental. Enfim, a atmosfera de castelos medievais assombrados e mocinhos geniosos não é exatamente o tipo de literatura que me seduz. Mas entendo que isso seja muito pessoal, pois tem gente que adora tanto Heathcliff quanto o Sr. Rochester, que já foi inclusive eleito o personagem mais romântico da literatura inglesa.

         Para finalizar, apenas um comentário sobre edição da BestBolso que li (foto acima). É uma edição barata, capa comum, com um pequeno prefácio da tradutora. Minhas críticas à edição são quanto à nitidez da impressão (pequeno problema que parece ocorrer em todas as edições da BestBolso) e quanto à falta de notas de rodapé com a tradução das falas em francês. Para quem não entende essa língua, pode ser um pouco incômodo depender do Google Tradutor para compreender trechos de alguns diálogos.

        Bom, por ora é isso. Um abraço e até a próxima ;).

       

Nenhum comentário:

Postar um comentário